Sobre o meu fazer clínico:

Minha aproximação com a psicanálise começou ainda na graduação de psicologia, onde o meu encontro com a teoria despertou também o meu desejo pela prática clínica, olhando para esse espaço como algo próprio, onde cada pessoa irá construí-lo à sua maneira.

Ao longo da minha formação, além de um referencial teórico, a psicanálise foi se tornando uma forma de olhar para cada pessoa, para o que está sendo dito e para o que aparece nas entrelinhas. É a partir dessa teoria que venho construindo o chão que sustenta a minha prática e o embasamento ético-teórico que assegura o meu trabalho.

Acredito que fazer uma clínica ética é apostar na singularidade, acolher o imprevisível de cada história e não ofertar um modelo pronto de normalidade ou felicidade. Sempre há algo de inesperado em cada análise, por isso penso que uma clínica nasce a cada encontro e a cada escuta, sendo para cada pessoa um lugar único.

O meu trabalho e a minha escuta se entrelaçam profundamente com a literatura, entendo como coisas indissociáveis. Há algo da leitura e da escrita que acompanha a minha maneira de pensar e olhar para a clínica, seja pelo meu interesse pelas palavras das histórias que são contadas ou pelas diferentes formas que uma vida pode assumir quando é narrada. A literatura é o lugar onde aprendo a permanecer diante daquilo que não é imediato, mas que é construído a cada novo encontro.

Autores como Freud e Lacan dialogam em minha prática com o pensamento de Neusa Santos Souza, Grada Kilomba e Lélia Gonzalez, além da sensibilidade de vozes como Elena Ferrante, Clarice Lispector, Conceição Evaristo e Hélène Cixous. Com elas, aprendo sobre a memória, a identidade e o tempo necessário para que uma história seja narrada.

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É a partir desse entrelaçamento que penso a clínica: como um espaço vivo, cuidadoso e acolhedor, sustentado pela ética da psicanálise, mas também pela presença de quem escuta e pela aposta de que, através da palavra, algo novo pode surgir.

Acredito em uma clínica que não oferece respostas prontas sobre quem somos, mas que pode nos acompanhar na construção de novas perguntas.